Depois dos acontecimentos da semana de arte moderna, no Rio de Janeiro, o cenário artístico nacional ficou fervoroso. Os encontros e parcerias dos artistas eram constantes, eles queriam firmar o modernismo de vez no país. Neste clima, alguns artistas começaram a utilizar uma sala no Palacete Santa Helena, antigo edifício na Praça da Sé,em São Paulo, em 1934. O primeiro a ocupar o ateliê foi Francisco Rebolo, que começou a pintar suas obras na sala 231. Em seguida, no ano de 1935, Mário Zanini chega ao prédio e divide sala com Rebolo, até pegar uma só para ele, a de número 233. Outros nomes foram chegando, e de repente já estavam no edíficio Manoel Martins, Fulvio Pennachi, Bonadei, Clóvis Graciano, Alfredo Volpi, Humberto Rosa e Rizzotti.
Imagens:
- Francisco Rebolo -Palhoça com Meninas (1943)
- Mario Zanini – Regata no Tiete (1965)
- Francisco Rebolo – Paisagem com casa (1944)
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A troca de conhecimentos e técnicas de pintura era imensa, além das sessões com modelos vivos e dos passeios de final de semana que a turma fazia ao centro da cidade para pintar ao ar livre. Porém, grupo ganhou visibilidade só no ano de 1936. Quando Rossi Osir e Vittorio Gobbis, na Exposição de Pequenos Quadros, na Sociedade Paulista de Belas Artes no Palácio das Arcadas, convidaram o grupo de artistas a participar da Família Artísitica Paulista (FAP).
A FAP era uma agremiação responsável pela organização de salões de arte na capital, e na época, era dirigida por Rossi Osir. Com isso, o Grupo ganhou as capas de jornais e começou a ser conhecido pela crítica especializada da época como o Grupo Helena.
No ano de 1939, Mário de Andrade identifica e conceitua pela primeira vez a existência de uma escola paulista no mundo da arte. Caracterizada por seu modernismo moderado e o academismo ainda vivo no meio paulistano.
“Éramos meia dúzia de amigos cujo traço comum era não gostar dos acadêmicos e querer a pintura verdadeira, que não fosse anedótica ou narrativa, a pintura pela pintura.”
Francisco Rebolo – depoimento – 1945
Na maioria auto-didatas, com exceção de Bonadei e Pennacchi, que estudaram Belas Artes na Itália, estes pintores por sua essência ou origem italiana, receberam uma forte influência da arte do novecento – os valores plásticos e o retorno à ordem – que significava orientar-se a partir da grande tradição da pintura italiana de Giotto aos contemporâneos dos anos 30.
O apego à representação da realidade levava-os a pintar principalmente paisagens, cujos focos eram as vistas dos subúrbios e arredores da cidade, as praias visitadas nos fins de semana e a paisagem urbana. O debruçar-se na pintura como exercício de um ofício, os artistas-artesãos, como dizia Mário de Andrade, contribuiram para um projeto moderno dedicado ao honesto, humilde, temas populares e rurais, cenas de gênero e marinhas.
O Grupo Helena trabalhou com outros gêneros também, como a natureza morta, o retrato e o auto retrato. No final da década de 30 o grupo se disfez, e a maioria de seus antigos integrantes seguiram carreira solo. Um dos que mais se destacou nesta segunda fase foi Alfredo Volpi, que já falamos aqui no Blog outra semana. Mas vale notar que artistas não-pertencentes ao Santa Helena guardam semelhanças estilísticas com os integrantes do grupo. Tais semelhanças apontam, com mais força, uma nova posição artística em São Paulo, autônoma em relação ao modernismo dos anos 1920 sem ser acadêmica.
por Renata Cerolini